“NY’77 – THE COOLEST YEAR IN HELL”
No ano de 1977, a cidade de New York beirava o caos e a decadência, onde a efervescência das ruas e sua população multicultural, preparava o terreno perfeito para o surgimento de tantos estilos e movimentos musicais como o Punk, Disco e o Hip hop.
Esse documentário de 2007, conta como tudo começou, através do olhar dos que lá estavam como: Afrika Bambaattaa, Richard Hell, Tommy Ramone, KRS-One, Annie Sprinkle, Geraldo Rivera, que contam histórias deliciosas do contexto cultural e de transformação que a cidade vivenciava e pulsava. Desde serial killers no Queens, ao Black out de 25 horas que ironicamente impulsionou os DJ´s da época, temos as mais curiosas histórias que contribuíram para firmar NY como seleiro de talentos musicais e referência de comportamento e moda no mundo todo.
Tudo conspirava a favor, existiam as casas de shows como o Loft e Garage Paradise que proporcionavam a ousada experiência de convivência e curtição sobre o mesmo teto, pela primeira vez, entre gays, lésbicas, negros, hispânicos e marginalizados em geral. Como dizem no documentário: “…se negros, brancos e gays dançam juntos, também vivem juntos”.
Sem saberem, as circunstâncias para a explosão cultural estava sendo criada. Até mesmo eventos fora do comum como o “black out” de 13 de julho, onde por 25 horas a cidade ficou sem iluminação, gerando saque generalizado do comércio loca, acabou contribuindo para a cena num episódio muito engraçado. O “black out” ocorreu no exato instante em que acontecia uma “batalha de DJ´s” num parque do Brooklyn, quando o sol já se punha, gerando em seguida uma correria generalizada, onde muitas das lojas saqueadas eram de equipamentos de som. O engraçado é que nos dias que se seguiram, a cena do Hip Hop ganhou força, já que literalmente, “da noite para o dia” muitos tornaram-se DJ´s.
No CBGB´s havia apenas uma regra para as bandas se apresentarem, “tocarem suas próprias músicas”, o que proporcionava a experimentação de uma banda de jazz com bateria, trompete e 3 guitarras, e no outro a ousadia de bandas que eram Punks e ainda não sabiam. Assim, surgiam: Ramones, Talking heads, Blondie e tantas outras bandas.
Casas de Disco como a Fever e o Studio 54 tinham o status de casas mais procuradas por todas as celebridades do momento. O documentário traz surpreendentes revelações dos frequentadores da casa, como a presença da mãe do ex-presidente Jimmy Carter fumando maconha (!!!) misturada entre os frequentadores da casa, que tinha métodos particulares para saber se a polícia estava a caminho, e avisar aos frequentadores que usavam drogas de todo o tipo a olhos vistos.
O filme possui um final um tanto melancólico, antigos moradores afirmam estar cansados do pessoal que vêm dos bairros residenciais para assistirem ao “Rei Leão” na Broadway e alegam que a o excesso de segurança é ruim para os artistas.
O final do filme é bem nostálgico, algo a se esperar de um documentário que conta a história de uma cidade num ano específico, e ironicamente possui uma frase profética, proferida por um morador dos tempos atuais, na qual afirma: ” Os prédios do Brooklyn que antes eram decadentes e davam origem abrigavam artistas e galerias de arte, hoje são Lofts de yuppies e valem centenas de milhares de dólares…é no final das contas, tudo acaba sendo uma mera questão imobiliária”. Tanto autor da frase, quanto os realizadores do filme mal sabiam que a origem da crise que viria em 2008 estava centrada justamente na “bolha” imobiliária norte-americana…é, 30 anos é bastante tempo.
This entry was posted on Thursday, April 8th, 2010 at 11:28 am and is filed under Cinema, Música. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.
facebook comments:










