“Still Bill”
Através do filme, temos a chance de conhecer a verdadeira essência e alma do músico, mesmo para aqueles que apenas conheciam seu hit “ain´t no sunshine” (o meu caso) fica fácil simpatizarmos com a personalidade que se desvenda a nossa frente, de uma simplicidade e profundidade em igual intensidade tanto na vida quanto na música.
“Eu sei como é sentir-se mal, eu só queria a sensação de sentir-se bem, sem culpa, dor e arrependimento.” Através dessa afirmação, Bill Withers explica porque resolveu parar com as turnês e nunca mais gravou discos, e simplesmente voltou para casa e família.
“Still Bill”, revela a história do músico, que no auge de sua carreira, resolveu abrir mão do estrelato e luxo, pois já não sentia necessidade de sair em turnê ano após ano, não via justificativa em ficar se mantendo na mente das pessoas.
Em um dos muitos momentos memoráveis do filme, que inclusive merecem ser reproduzidos originalmente, Bill afirma: “On the way to wonderful,” he says, “you’ll pass through all right. Stop and take a look around, because that’s where you may be staying”, afirmação esta que só poderia vir de quem conquistou tudo aquilo que a sociedade deseja e nunca sentiu ter perdido, ou abandonado algo, e sim que: “…apenas queria fazer outras coisas”.
Damani Baker and Alex Vlack, diretores da obra, conquistam a naturalidade das conversas de botequim, captando assim, a intimidade através de uma sinceridade de olhar ao mesmo tempo objetivo e profundo. O músico parece fazer suas descobertas, junto e através dos realizadores do projeto. Temos a emoção primeira de reconhecer o dom da própria filha enquanto artista e cantora, quando juntos, ouvem a música que acabaram de gravar.
Sem traço algum de sentimentalismo, ficamos sabendo que até os 28 anos o músico era gago e não tinha a menor pretensão de vir a cantar. Numa emocionante homenagem prestada por uma associação de gagos de NY, profere palavras de força e incentivo, onde afirma ter aproveitado todas as oportunidades que teve, estudou, serviu na Marinha e nunca teve uma guitarra até 1970, e já em 1971 gravava seu primeiro disco. Mesmo nesses momentos, o documentário mantém a leveza, esta, que parece ser característica mais marcante da personalidade questão, um compositor que todos julgavam escrever letras sobre mulheres, mas nunca havia estado com uma até então. Compunha enquanto trabalhava nos aviões, e na falta de caneta e papel, memorizava as composições, cantand0-as durante todo o dia para em casa anotá-las.
Aos 70, num tributo em sua homenagem, realizado no Brooklyn, Bill se apresenta e canta depois de tanto tempo longe dos holofotes. Ainda temos, Bill gravando com Raul Midon, composições arrojadas, que flertam com ritmos cubanos, dançantes e alegres. Bill ainda sente-se a vontade no palco, ainda sente prazer em compôr (entre amigos e familiares, com certeza), e ainda possui a voz potente, de estilo inconfundível.
A única direrença é que talvez já não sinta necessidade de provar isso todos os dias, saindo em turnês e cantando para multidões, talvez apenas deseje desfrutar da presença de seus filhos e de sua primeira e única esposa e compreensiva amiga. Como diz em determinado momento: “Precisamos ser compreensivos consigo mesmos”.
Enfim,
,Bill…”Still Bill”.
This entry was posted on Monday, April 5th, 2010 at 10:36 pm and is filed under Cinema, Música. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.
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