Filmes em 2min com Chileno: Mama (2013)



Filmes em 2min com Chileno

 

No primeiro video da série “Filmes em 2min com Chileno”, o próprio conta a história do novo filme produzido por Guillermo del Toro, Mama (2013).

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Epílogo – Crítica: O Hobbit: Uma Jornada Inesperada



Epilogo - O Hobbit

Há poucas semanas atrás, foi publicado o texto sobre O Hobbit com base apenas na versão mais simples disponibilizada (leia a crítica aqui) nos cinemas. No entanto, a mudança de paradigma proposta por Peter Jackson é digna de um epílogo.

É difícil definir qual tecnologia – Imax, 3D ou os esperados 48fps – foi a principal responsável, mas a combinação de todas resultou sem dúvida em uma experiência visual ímpar. As imagens borradas mencionadas na crítica simplesmente não existem. É tudo de uma fluidez e riqueza de detalhes impressionante, do ataque ocorrido no primeiro prólogo às batalhas do terceiro ato, a ponto de parecer uma grande animação. Sim, soa contraditório, mas é a sensação percebida: um grau de realismo que supera a própria realidade. Algo como um ultra high definition que ao mesmo tempo remete aos grandes vídeos exibidos nas apresentações dos jogos (de videogames ou pc) de última geração.

A diferença da projeção em 48fps fica muito evidente logo nos seus primeiros minutos: é compartilhada a impressão de que a imagem passa “acelerada” – mais ou menos o que acontecia com o som de um LP na época em que era possível/normal alterar a velocidade de rotação da vitrola/toca-discos. Ainda que a adaptação do espectador seja rápida, isso acaba gerando não só um desconforto inicial, mas também a redução dramática de algumas cenas, pois parece que os personagens sequer hesitam antes de tomar alguma atitude.

Apesar de todos os pontos positivos, os closes rápidos dados em Radagast enquanto este guia seu trenó em alta velocidade denunciam artificialidade nos efeitos digitais, indicando a evolução do espectador ao não se deixar enganar caso algo não seja realmente feito com cuidado. A iluminação em si também pode levantar discussões já que algumas tomadas parecem brilhantes demais para a situação em si, como a chuva durante a cavalgada por exemplo.

No geral, embora outras questões negativas já levantadas permaneçam, o filme se torna incrivelmente mais interessante do que em 2D e 24fps e aumenta e muito a expectativa de sua continuação, afinal Smaug é a grande promessa.

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Crítica: Amour



Amour - Crítica

Deixe de lado a pieguice das histórias de amor de Hollywood. Se você está procurando isso, melhor trocar de filme. Com estreia oficial para esta sexta (18) no Brasil, “Amor” dirigido pelo austríaco Michael Haneke, o mesmo de “A Fita Branca” e “A Professora de Piano”, conta uma profunda história de amor entre um casal e dá uma lição de vida a todos nós.

Na história, Georges e Anne estão na faixa dos 80 anos e são professores de música aposentados. Vivem bem, confortavelmente, com a casa cheia de livros e rodeados de cultura. Desde o início é possível ver muito carinho e cuidado entre eles, mesmo velhinhos. Até que um dia Anne sobre um AVC e fica com o lado direito do corpo paralisado.

A partir deste momento, todo o amor entre eles é testado. Georges passa a viver inteiramente para ela. Ele a alimenta, a veste, a ajuda a ir ao banheiro e posteriormente até troca suas fraldas. Ela se torna uma criança que precisa de cuidados constantes.

Até que Anne sofre um segundo AVC e fica ainda mais comprometida. A casa que até então não tinha empregados, o que é bem comum em países da Europa, passa a receber enfermeiras.

A relação entre eles como casal já não existe, mas ainda há muito carinho e cuidado. Georges fez uma promessa de nunca deixá-la num asilo ou padecendo na cama de um hospital, então ele mesmo cuida de tudo.

A vida passa a ser da sala de estar para o quarto, do quarto para a cozinha, para o banheiro… Conhecemos toda a planta da casa, que fica cada vez mais adaptada à doente. Cadeira de rodas, remédios, cama adaptada, fraldas… tudo ali ao redor, como seria na vida real.

O que mais impressiona é a dose de realidade com que Haneke trabalha. Não há máscaras. Há momentos de preocupação, mas também de raiva (como quando Georges dá um tapa em Anne por ela não querer engolir água) e impotência em relação à doença, que só tende a piorar.

Em cenas longas e às vezes bem paradas, podemos sentir a profundidade dos sentimentos dos personagens. Como na cena em que Georges vê Anne sentada ao piano tocando uma música e, ao desligar o aparelho de CD, tudo desaparece. Ou quando ele a ajuda a fazer exercícios pela sala e, como se fosse uma dança, os dois se apoiam e caminham juntos.

Amour - Crítica

A doença põe à prova qualquer tipo de amor, caridade, compreensão e paciência que possa existir entre as pessoas. Quem já viveu isso na família, sentirá “Amour” com pontadas muito mais agudas e saberá o quanto o diretor foi fiel e verdadeiro.

Além da direção, outro destaque de “Amour” são as atuações de Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant, Anne e Georges, respectivamente.

O filme que acaba de ganhar o Globo de Ouro na categoria filme estrangeiro, também concorre a cinco Oscars em 2013, entre eles melhor filme, melhor atriz (para Emmanuelle Riva, que faz Anne), melhor diretor, melhor filme estrangeiro (pela Áustria) e melhor roteiro original.

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Crítica: O Hobbit: Uma Jornada Inesperada



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Título Original: The Hobbit: An Unexpected Journey (169 minutos)

Ano: 2012

Diretor: Peter Jackson

Nota: Este texto não tem como foco as diferenças entre a obra literária e a cinematográfica e foi redigido com base na versão 24 fps – 2D.

Mais de 10 anos se passaram desde a estréia da jornada de Frodo e sua  habilidosa sociedade na destruição do Um Anel e, consequentemente, na derrota de Sauron nos cinemas. Tal história, baseada nos livros de J. R. R. Tolkien inicialmente publicados em três volumes na década de 60, foi adaptada de forma sem igual e levou 17 Oscars, sendo 11 das estatuetas recebidas pela última parte em 2003, intitulada O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, e elevou Peter Jackson (King Kong e Um Olhar do Paraíso) a um patamar muito além do que a maior parte dos diretores alcançará em suas carreiras. Agora, Jackson retorna ao universo que o alavancou.

Na tentativa de contar mais sobre o mundo mágico e riquíssimo criado por Tolkien, Peter Jackson decidiu recentemente que a adaptação de O Hobbit, conto infantil que possui aproximadamente 300 páginas, seria uma nova trilogia, causando reações negativas não só dos apaixonados pela obra literária, mas também de cinéfilos que veem nisso apenas uma manobra oportunista do diretor e do estúdio. Com isso, a expectativa sobre seu trabalho deixa de ser somente conhecer uma nova parte da história e passa a ser validar sua competência na direção e buscar argumentos que justifiquem tantas horas de filme.

Escrito por muitas mãos – Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson (os três assinam a trilogia O Senhor dos Anéis) e Guillermo del Toro (A Espinha do Diabo, Hellboy e O Labirinto do Fauno) – o roteiro de O Hobbit não foge ao formato já estabelecido na trilogia anterior: a narração expondo fatos que explicam o porquê dos acontecimentos que ainda se seguirão e a apresentação lenta dos novos personagens; quanto aos antigos (mesmo aqueles que não fazem parte da obra original), a participação destes é feita de forma orgânica e obviamente não deixa de ser emocionante revê-los na tela – algo semelhante a reencontrar amigos de longa data – e lembrar com pesar das situações críticas que ainda enfrentarão.

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A lentidão mencionada no parágrafo anterior extrapola a apresentação dos 13 anões e se estende ao prolongamento de cenas aparentemente pouco importantes para o andamento dos fatos (resta saber se estas terão relevância nos próximos capítulos) e faz com que o ritmo da projeção seja moroso nos aproximadamente 70 minutos subsequentes à introdução, demandando paciência do espectador e gerando assim a incômoda sensação de ter havido necessidade de “encher de linguiça”.  Em compensação, o longo terceiro ato é incrivelmente empolgante e chega como uma recompensa ótima e mais do que merecida, pela aventura e ação frenéticas, e também pela composição das cenas onde se expõe toda a habilidade e criatividade em batalha dos anões, a participação ativa de Gandalf, a importância de Bilbo, a conversa com Gollum, a liderança e força de Thorin, o visual incrível dos duelos, as belíssimas locações e a trilha sonora impecável, aumentando bastante as expectativas pela sequência no próximo ano.

Tecnicamente não há maiores desapontamentos, mas na versão 2D algumas cenas – principalmente as da introdução – ficam embaçadas e os efeitos especiais do trecho onde o grupo é atacado por um bando de wargs parecem pouco naturais, podendo ser reflexo direto da redução de frames. A caracterização dos anões é muito boa, ainda que Thorin, Fili e Kili pareçam bonitos demais para pertencerem à raça descrita por Tolkien.

Embora a película conte com muitos personagens simultâneos, os destaques (em atuação e exposição) são Ian McKellen (X-Men), que continua dando vida a Gandalf com a competência de sempre, Martin Freeman (O Guia do Mochileiro das Galáxias) que se prova uma ótima escolha para a personificação de Bilbo, conseguindo afastar drasticamente qualquer comparação com Frodo e evidenciando as diferentes personalidades destes, Ken Scott (Rei Arthur) como o conselheiro Balin e Richard Armitage (Capitão América: O Primeiro Vingador) cujo trabalho excelente faz de Thorin o novo Aragorn (interpretado por Viggo Mortensen) e representa com vigor um anão de linhagem real. Os demais anões não têm tanto tempo em tela, dificultando assim uma análise maior. Já os veteranos Elijah Wood, Hugo Weaving, Cate Blanchett, Christopher Lee e Andy Serkis retornam aos seus papéis – Frodo, Elrond, Galadriel, Saruman e Gollum, respectivamente – com segurança e, provavelmente, prazer.

As chances de O Hobbit gerar descontentamento por sua longa duração e por sua “infidelidade” é grande, mas neste caso deve-se levar em consideração que a forma de escrever um livro difere muito da escrita de um roteiro e que para o cinema algumas mudanças são mais do que aceitáveis: elas são necessárias. Ainda que o impacto deste projeto seja menor do que o alcançado por O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel é uma boa experiência e consegue aguçar curiosidade para a segunda parte a ser lançada em dezembro de 2013.

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Top 10 filmes de 2012



1. Moonrise Kingdom

Moonrise Kingdom / Wes Anderson

Wes Anderson volta a juventude entregando o que talvez seja seu filme mais redondo e acessível, mas nem por isso com menos méritos artísticos. Alias, arrisco dizer que esse possa ser o melhor filme dele até aqui.

2. Our day will come

Nosso dia chegará / Romain Gavras

Romain Gavras, que tem feito os melhores e mais artisticamente agressivos clipes dos últimos anos traz seu primeiro filme, que é um dos melhores e mais artisticamente agressivos dos últimos anos.

3. Super

Super / James Gunn

O melhor filme de super-heróis de todos os tempos.

4. Killing them softly

O Homem da Mafia / Andrew Dominik

Andrew Dominik está de volta com seu filme de anti-genero. Engraçado, inteligente, divertido, brutal e uma brilhante forma de se fazer cinema moderno.

5. Shame

Shame / Steve McQueen

Um filme lindo que muita gente acha moralista. Mas Steve Mcqueen não trabalha um tema e sim personagens bem específicos de forma bonita e inspiradora.

6. We Need Talk About Kevin

Precisamos Falar Sobre o Kevin / Lynne Ramsay

Nunca tenha filhos.

7. Young Adult

Jovens Adultos / Jason Reitman

Jason Reitman nunca decepciona. Um filme que foi importantíssimo para todos atores envolvidos e trata de forma sincera e sutil seus personagens.

8. The Comedy

A Comédia / Rick Alverson

Tim Heidecker como melhor ator do Oscar 2013.

9. Tim and Eric billion dollar movie

Tim and Eric billion dollar movie / Tim HeideckerEric Wareheim

Para quem é fã da série, pode soar bem familiar ou até batido. Mas não existe um filme como Tim & Eric Billio Dollar Movie na história do cinema.

10. Human centipede 2

Centopeia humana 2 / Tom Six

Uma seqüência de um dos mais horríveis filmes de terror de todos os tempos surpreende. Em preto e branco, o assassino do segundo ve o primeiro filme e se inspira. É quase como um filme de arte para mim. Juro.

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Crítica: Os Infratores (Lawless)



Título Original: Lawless (116 minutos)

Ano: 2012

Direção: John Hillcoat

Vilania não é sinônimo de maldade: embora os conceitos não se excluam, o segundo se aproxima da crueldade e barbárie enquanto o primeiro muitas vezes se limita à quebra de regras e desrespeito ao sistema, seja ele qual for. Mesmo havendo certa resistência das pessoas em aceitarem sua curiosidade latente pelos substantivos em questão, é inevitável que se manifeste um misto de desejo, admiração e inveja – até mesmo dos mais puritanos – pela vilania, especialmente dependendo de como é praticada, e por quem. A ficção está lotada de vilões que causam temor e instigam aquele sentimento esquisito e conhecido por todos, cujo nome não tem tradução para o português: schadenfreude - o “prazer” pelo sofrimento alheio. Em contrapartida, temos histórias romantizadas sobre anti-heróis (leia-se: vilões simpáticos e cheios de caráter) cujas ações, julgadas pelo público com base apenas em seu próprio moralismo, visão de realidade e senso de justiça, têm seu impacto reduzido graças ao apelo de identificação com os personagens. Ainda que infelizmente este não seja o tema central (na verdade essa discussão nem chega perto de ser incentivada), é neste último cenário que Os Infratores se encaixa.

Concebido praticamente com estereótipos tridimensionais óbvios – irmão caçula buscando seu lugar ao Sol, primogênito sábio e austero, mocinha misteriosa que conquista o coração mais endurecido, vilão esquisitão e violento, “bandidos do bem” com muitos valores morais – com perfis bastante familiares, o caminho principal da trama acaba ficando exposto às previsões do espectador reduzindo de certa forma a surpresa e também a preocupação que se deveria ter por aqueles indivíduos ali retratados.

É justamente nesse último ponto que o roteiro escrito por Nick Cave (sim, o músico e ator e também roteirista de A Proposta) com base no livro The Wettest Country in the World de Matt Bondurant (neto de Jack Bondurant, personagem de Shia LaBeouf) e a direção de John Hillcoat (A Estrada e A Proposta) atingem o ápice da competência: apesar da brecha dada pelos personagens, o filme se torna imprevisível dentro de sua própria previsibilidade gerando uma tensão crescente, justamente pela antecipação de que alguma atitude violenta ou estúpida (que por sua vez acarretara em outra igualmente violenta) será tomada por um deles, embora não se saiba exatamente qual e nem suas proporções, inevitavelmente deixando o público à mercê de sua própria sensação de perigo e criticidade criada por sua imaginação a partir da tal previsão mencionada anteriormente.

A responsabilidade pelo sucesso do projeto também é carregada junto com o elenco principal que claramente abraçou a idéia e parece ter sido escolhido a dedo para seus papéis. Shia LaBeouf (Paranóia, Transformers), com seu enorme carisma se aproxima rapidamente de que assiste fazendo o bom menino que ama seus irmãos, busca seu próprio espaço, troca os pés pelas mãos, sofre e finalmente prova ser um membro daquela família. Tom Hardy (A Origem, Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Guerreiro), cada vez mais queridinho de Hollywood, esconde boa parte do seu aumento de peso graças a sua atuação como Bane e personifica convincentemente o irmão paternalista que certamente já passou por inúmeras situações de risco até o momento onde a história começa a ser contada. Já Guy Pearce (Amnésia, A Estrada¸ Prometheus) parece estar se especializando em personagens bizarros e consegue dar o tom certo para alguém que passa boa parte do tempo alternando a psicopatia e descontrole. No mais, as atuações de Jason Clarke (Inimigos Públicos) e Jessica Chastain (Histórias Cruzadas, Árvore da Vida) não comprometem e servem como boas escadas para o desenvolvimento dos companheiros de cena. Gary Oldman (trilogia Batman, O Profissional) faz uma passagem rápida e eficaz, como se pode esperar de um ator gabaritado.

Sem aprofundamento em questões mais filosóficas e nem causar desconforto moral em quem dedicou tempo a assisti-lo, Os Infratores favorece uma ótima experiência cinematográfica. No cotidiano, o ser humano ameniza o impacto de algumas decisões tomadas por quem se gosta e isso se aplica ao que é mostrado na tela. Entretanto, se duas pessoas matam pelo mesmo motivo, quem é mais criminoso?

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Brasileiro ‘Rapsódia Armênia’ ressalta lado humano na 36ª Mostra Internacional de Cinema



“Rapsódia Armênia” é um documentário estilo “road movie”, que está na 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo na Competição Novos Diretores e, por ser brasileiro, também concorre ao Prêmio Itamaraty. Através de uma viagem, o filme mostra um pedacinho da Armênia, um país de cultura pouco conhecida no Brasil.

Com direção de Cassiana Der Haroutiounian, Cesar Gananian e Gary Gananian, “Rapsódia Armênia” é uma seleção de entrevistas e imagens muito sensíveis sobre a cultura e a história do país. O filme ressalta o lado humano de cada personagem e faz um estudo do rosto com uma câmera que aproxima nossa visão e nos deixa enxergar marcas, nuances e linhas de expressão nas pessoas.

A música tem um papel fundamental em “Rapsódia”, que contou com a direção musical de Alexandre Moura. Músicas e danças, canções de violão, ritmos e silêncios significativos, fazem parte do filme para mostrar a cultura armênia.

A relação que se estabelece é de uma aproximação, uma comunhão de sentimentos: dá para sofrer um pouquinho com cada rosto triste, rir com as risadas deles e se emocionar com cada história de vida. O filme deixa claro que, mesmo em culturas tão diferentes, somos todos iguais.

“Rapsódia” mostra a não-ficção sem perder a poesia. E é possível sentir um pouco dessa poesia no trailer, assista abaixo.

Prêmios

Além de participar na competição da 36ª Mostra de SP, Rapsódia ganhou o prêmio de melhor documentário armênio e também o prêmio do British Council Award no 9º Festival de Filmes “Golden Apricot”, em julho deste ano, na Armênia. Mais recentemente, ganhou como de melhor documentário da 7ª edição do Promegranate Film Festival de Toronto, no Canadá.

O filme ainda concorre, em junho de 2013, no festival de documentários Sheffield Doc/Fest, na Inglaterra.

Na Mostra, todas as suas exibições do documentário já foram feitas nos dias 22, 24 e 25/10, mas ainda devemos ouvir falar mais dele por aqui.

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Crítica: Dredd



Título Original: Dredd 3D (95 minutos)

Ano: 2012

Direção: Pete Travis

É generalizada a sensação de que Hollywood vem focando em lançar remakes (às vezes de produções nem tão antigas, como Homem-Aranha) e filmes de heróis ao invés de seguir novas tendências, logo não deixa de ser surpreendente que uma produtora britânica (DNA Films) tenha decidido refilmar Dredd, já que o cinema europeu dificilmente segue esta tendência. Por outro lado, é completamente compreensível a vontade de levar aos cinemas uma adaptação que faça jus aos quadrinhos do Juiz (lançados em 1977), já que a versão de 1995 (O Juiz) estrelada por Stallone e com orçamento consideravelmente maior, foi um fracasso de crítica e bilheteria.

A boa notícia é que o roteiro de Alex Garland (A Praia, Extermínio e Sunshinesendo estes dois últimos também da DNA Films), que embora siga a conhecida linha do mocinho-que-sai-em-missão-simples-e-se-vê-preso-a-alguma-situação-muito-maior – já utilizado anteriormente ([REC]) – não faz feio e proporciona algum desconforto e tensão, junto à direção de Travis (Ponto de Vista) que tomando decisões simples transforma o futuro em algo menos carnavalesco e mais plausível aos espectadores, e enfim aliado a uma fotografia envolvente que expressa toda a criticidade e riscos de se viver em uma cidade como Mega City One, conseguem alcançar um resultado bastante competente.

Tanto quanto o roteiro, os personagens também se tornam atraentes ao público através de um envolvimento bem sutil por parte de cada um – inclusive Dredd cuja vestimenta obviamente limita sua exposição, demandando de Karl Urban (Star Trek, RED – Aposentados e Perigosos, O Senhor dos Anéis) a difícil tarefa de aumentar a proximidade com o bom uso da postura. Olivia Thirlby (Juno e A Hora da Escuridão) desperta empatia instantânea com sua deuteragonista Anderson, graças também a sua “especialidade” curiosa. Já Ma-Ma, a vilã do filme (Lena Headey, 300 e Terminator: The Sarah Connor Chronicles) também tem sua ameaçadora existência comprovada em poucas cenas e palavras – mérito compatilhado com contexto onde o filme todo se passa – ainda que possa tender ao exagero.

Curioso é perceber que é justamente no exagero – no caso, o gráfico – que reside boa parte da beleza deste projeto: da magnitude dos mega blocos e seus corredores aparentemente sem fim até um dos recursos mais amplamente revisitados desde Matrix, a câmera lenta. Aqui existe uma excelente (senão a melhor dos últimos tempos) justificativa para sua utilização: a droga SLO-MO. A composição das cenas como um todo – a razão, o colorido, a velocidade reduzida, entre outros – fazem com que a ultraviolência adotada seja sublimada a ponto de transformar o impacto visual de uma morte dolorosa ou de um jato de sangue em algo próximo de poesia, dada a embriaguez a qual os olhos daqueles que assistem são submetidos.

Embora apresente um desenrolar relativamente previsível e com uma queda de ritmo a partir da metade da projeção até o clímax, a trama entretém com qualidade e, se por um lado estimula uma preocupação infelizmente contida para com Dredd e Anderson devido à confiança existente no protagonista, por outro faz com que se tema pela vida daqueles que passam diante de Ma-Ma, evidenciando o bom trabalho efetuado por toda a equipe e a força de cada figura ali retratada.

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