Os Mercenários (The Expendables)
O cartão de visitas de The Expendables mostra o filme como uma revanche da testosterona, questionando uma indústria que se resumiu em fantasias femininas demais. E isso fica mais apelativo com a escalação da produção: Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Randy Couture, Steve Austin, Terry Crews, Mickey Rourke e Bruce Willis.
Por um lado, impressiona muito, mas, no frigir dos ovos, pode-se esperar o mesmo que qualquer fã de heavy metal e classic rock – não por menos, a própria trilha sonora – acaba provando: como essa masculinidade toda é ridícula, uma pose para muita falta de atitude. A troca de uma original masculinidade por símbolos do masculino. A resposta do brocha diante o fracasso.
Stallone não é mais Rambo ou Rocky. Jason Statham é o “inglês” dos filmes de ação e não fica nada bem numa encarnação tão americanizada como a de Os Mercenários. Jet Li é reduzido a um chinês que sabe lutar, mas não é bom o suficiente, é uma piada do grupo. Lundgren é o melhor colocado, ainda um pouco do Soldado Universal, mas o jeito que o dominam faz dele um coitado. Randy Couture participa muito mais quando fica nos ringues. Steve Austin também, porque toda participação dele no cinema soa irrelevante. Terry Crews é um cara grande e engraçado, mas nada disso surge no filme. Mickey Rourke não recebe a atenção para servir por sua perversidade ou seu charme como galã (ok, há muito tempo ele não é um galã). E Bruce Willis, o mais “cool” do time, faz só uma ponta. Não é o suficiente.
Grande parte dessa decepção parte da edição, que não sabe aproveitar aquilo que realmente conta quando o assunto é testosterona. Todo resultado é transformado em processo. No lugar de realmente mostrar as pessoas atirando, as caretas, os golpes de artes marciais, as proezas etc, o que Os Mercenários faz é reduzir isso a milésimos e fazer o máximo em alta velocidade. Os melhores momentos tem que ser “pescados”. Como se toda a masculinidade dos filmes de ação fizesse sexo tão rápido como um cão excitado, sem saber aproveitar o momento. Disso, uma sensação de falha na performance.
Também a sexualidade falha. O ponto mais erótico que um homem terá é a personagem de Gisele Itié sendo torturada, de blusa branca, levando um banho de água fria. Mas de modo tão respeitoso que até Sex and the City é mais masculino nesse quesito.
Sabe-se bem que filmes de ação sempre foram motivo de piada, ainda mais seus fãs. Mas é difícil um menino escapar das emoções que eles propiciam. A virilidade tem um grande efeito de conquista no amadurecimento de qualquer homem. É compreensível que, pelo viés feminino, Os Mercenários seria um filme desrespeitoso com tudo que não consta no manul macho-man. Pelo viés masculino, é no máximo cômico ver um grupo de homens tentando se auto-afirmar tanto. Atitude de brocha.
This entry was posted on Friday, August 13th, 2010 at 2:37 pm and is filed under Cinema. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.
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5 Responses to “Os Mercenários (The Expendables)”
Erick August 13th, 2010 at 5:19 pm
Ainda não vi o “filme”, mas é exatamente assim que imagino que seja. E quer saber? Aposto que L.A. Zombies do LaBruce tenha muito mais testosterona do que esses senhores que precisam de viagras e e armas de LONGO calibre para mostrar a macheza e esconder o cansaço.
Pedro September 7th, 2010 at 1:56 pm
William, você realmente não sabe curtir qualquer bom filme se entra no cinema só para se distrair, sem se importar com o que venha na sua frente, só porque o Stallone quis que fosse daquele jeito. Eu posso argumentar ponto por ponto, mais uma vez, porque considero Os Mercenários ruim até mesmo como filme de ação barato, como expliquei no texto; mas não acho justificável seguir um estilo de vida sem pretenSões.
William September 8th, 2010 at 12:06 pm
Ok Pedro,o que eu quis dizer é que Os Mercenários é um filme para se curtir sem pretensão nenhuma,afinal desde o começo em entrevistas e tal o Stallone falo da proposta do filme,não generalizei todos os filmes de ação,claro que é sempre bom curtir um bom filme de ação sem clichês e com um roteiro mais original,mas eu também gosto de filmes assim cheio de explosões e tiros a moda antiga e de vez em quando é bom ir ao cinema só para se divertir,pra mim estava faltando um filme assim atualmente.
Pedro Keppler September 8th, 2010 at 2:31 pm
também gosto de filmes de ação à moda antiga e nem sequer falei na resenha de “um bom filme de ação sem clichês e com um roteiro mais original”. Aliás, quem falou em “bom filme de ação” foi você, logo antes, me acusando de não saber curtir um deles.
O que eu disse é que você parece defender que a produção cinematográfica seja nivelada por baixo. Aliás, você confirmou isso, falando que “é um filme para se curtir sem pretensão nenhuma”. O que eu te respondi foi que NENHUM filme deve ser visto sem pretensão. Eu, pelo menos, não estou de acordo com a maioria do lixo cultural no qual eu vivo.









William September 7th, 2010 at 12:58 pm
Puta crítica ignorante essa,vcs realmente não sabem curtir um bom filme de ação.Filmes de ação são para se divertir,entrar no cinema e esquecer do mundo e se distrair.Os cara não estão tentando provar a masculinidade deles,Stallone apenas quis fazer um filme de ação a moda antiga sem pretenção nenhuma nem uma grande história,só para divertir.Antes de sair falando merda,tentem entender a proposta do filme.