“ONE FAST MOVE OR I’M GONE: KEROUAC’S BIG SUR”



Por que num mundo onde tantas pessoas perseguem o estrelato e querem ser admiradas, outras preferem seguir suas antigas vidas de antes da fama? Talvez nem todas queiram ser modelos inspiradores, mas queiram apenas compartilhar suas jornadas, que consideram únicas e pessoais.

Documentário sobre a crise existencial de um mito da literatura beat, Jack Kerouac, através do olhar de amigos, fãs, músicos e escritores que foram muito influenciados pelo movimento beatnik como Sam Shepard, Patti Smith e Tom Waits.

Jack Kerouac, após alcançar fama e sucesso comercial com “On the road”, passou a ser visto como um verdadeiro guru espiritual de todos aqueles que buscavam o auto-conhecimento nas estradas. Fama que contrariou completamente tudo aquilo que tinha pregado em seus livros: o prazer de sentir-se parte da natureza como um todo, como nas suas viagens às montanhas, ou mesmo praticar a arte do encontro com o desconhecido, seja numa carona com um caminhoneiro de Ohio ou num bar sujo de Denver. Tudo isso perdia o sentido aos seus olhos, ao passo que ele era reconhecido nas ruas e seu rosto era capa de revistas.

Sua obra literária foi massificada e sua ideologia rapidamente se espalhou para jovens em várias partes do mundo. Algo que havia sido uma busca pessoal tornou-se chavão. Como ele mesmo diz: “Agora todos os garotos querem me pagar uma bebida” e ouvir novas histórias do ídolo do momento.

Mas o herói que procuravam já não era mais o mesmo, porque ele já havia cumprido sua jornada. O que sobrou era um homem de 40 anos, cruzando sobriamente e entediado a América de trem, já em dúvida com o seu passado. A vida que levou, que julgava certa e a mais prazerosa, o excesso de álcool, as drogas, o jazz frenético pelas noites sem fim, tudo isso tinha ficado para trás. O corpo e a mente já não eram mais os mesmos. O alcoolismo, em alto grau, impedia Jack de manter as mais simples conversas com desconhecidos nos bares. “Ou ele fazia alguma coisa, ou já era.”

“One fast move or I’m gone”. É nesse contexto que o documentário mergulha. Mais precisamente no ano de 1960, na cabana de seu amigo Lawrence Ferlinghetti, localizada na floresta de Big Sur. Época e local em que Jack fez tentativas de largar o álcool e as drogas, e dessa experiência escreveu o livro “Big Sur”.

“On the Road” já eram histórias passadas, de uma alma mais jovem, uma alma que ansiava por descobertas e aventuras. Aquele Kerouac que foi à cabana já era outro homem, já exausto de sempre estar indo a algum lugar e nunca chegar a lugar nenhum. Talvez ele quisesse que sua estrada o tivesse levado para uma casa, com uma mulher e filhos esperando para o jantar… Talvez Jack Kerouac tenha vivido sua juventude sem nunca pensar que um dia chegaria aos 40.
E você? Tem hoje a mesma cabeça e vontades dos seus 20 anos?

Terá a mesma cabeça quando alcançar seus 40 anos?

DOCUMENTÁRIO PRESENTE NA SESSÃO DE DOCUMENTÁRIOS INTERNACIONAIS DO FESTIVAL IN-EDIT

ÚLTIMA EXIBIÇÃO: 25/03, quinta-feira
Hora: 17:00
Local: HSBC Belas Artes

*Obrigado ao Renato Couto pela ajuda com o texto e sobretudo pelas conversas sobre o filme e a vida.

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Adriano Vilas Boas

Ator, produtor e roteirista da trintaeum filmes. Advogado e palhaço. Viciado em cinema. | adriano.boas@figurama.com.br

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This entry was posted on Thursday, March 25th, 2010 at 11:34 am and is filed under Cinema, Música. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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One Response to ““ONE FAST MOVE OR I’M GONE: KEROUAC’S BIG SUR””

Dimitri karamazov April 1st, 2010 at 4:10 pm

Sensacional! So quem tem um lado Keroac e outro Herman Hesse sabem tratar tao delicadamente o tema!!

Dublin in concert

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